Filie-se

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Sergipe (Sinpol/SE), lançou na última terça-feira (15), uma campanha para alertar a sociedade sergipana sobre o grave abismo salarial existente entre dois cargos da mesma carreira policial civil. Segundo dados do Portal da Transparência do Governo do Estado, apenas dois delegados receberam juntos quase R$ 2,7 milhões entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.

O valor é tão expressivo que seria suficiente para pagar, em um único mês, a folha de pagamento de aproximadamente 500 oficiais investigadores: servidores que formam a linha de frente das investigações, atuando em plantões, diligências e no atendimento direto à população.

“A sociedade precisa conhecer esse abismo”

O presidente do Sinpol/SE, Jean Rezende, reforça que o sindicato não é contra a valorização dos policiais civis delegados, mas cobra paridade e justiça na estrutura de cargos da Polícia Civil de Sergipe, composta apenas por delegados e oficiais investigadores.”Não somos contrários a nenhum tipo de valorização aos colegas delegados. Também registramos nosso respeito à associação que os representa. Mas a sociedade sergipana precisa conhecer essa realidade de forma transparente, pois é ela quem mantém o salário dos servidores públicos”, afirmou.

Jean também alertou que essa disparidade pode comprometer o serviço prestado ao cidadão. “Existe uma disparidade imensa, um abismo gravíssimo, que se hoje ainda não reflete negativamente, pode, a médio e longo prazo, no futuro, impactar diretamente nas estatísticas e na eficiência do trabalho policial civil. O cidadão precisa saber que, na maioria das vezes, quem o atende na delegacia do início ao fim do procedimento é um oficial investigador, e não o delegado”.

Desestímulo nas delegacias

O diretor sindical Heráclito Menezes também chamou atenção para o tamanho da desigualdade dentro da carreira. Segundo ele, “são apenas dois cargos, e o distanciamento entre eles é absurdo”. Heráclito afirma que “o desestímulo já começou a acontecer dentro das unidades, porque o policial chega para trabalhar e vê o delegado com toda a pompa, por ter um dos maiores salários do país, enquanto os oficiais investigadores amargam um salário achatado e defasado”. Para ele, essa realidade já afeta o ambiente de trabalho e, por consequência, a qualidade do serviço prestado à sociedade. “Mais cedo ou mais tarde, infelizmente isso vai recair sobre o cidadão”, completa.

Reestruturação é o caminho

O Sinpol/SE defende que a única saída concreta para essa distorção é a reestruturação da carreira policial civil, que garanta isonomia, valorização e respeito ao trabalho realizado pelos oficiais investigadores, que mantém a Polícia Civil em funcionamento no dia a dia. O sindicato reconhece que o governo atual não criou esse abismo, porém, o fosso tem se ampliado quando é dado o mesmo percentual para dois cargos da mesma carreira. Nesse sentido, a entidade reforça que o governador Fábio Mitidieri, tem, agora, a oportunidade histórica de corrigir essa injustiça. “O que o sindicato quer é corrigir esse abismo, estreitar o distanciamento. Hoje temos oficiais investigadores entre os cinco piores salários do país, e delegados entre os cinco melhores. Isso não é injusto. O governo pode e deve resolver isso com seriedade e compromisso com a segurança pública”, finaliza Heráclito.